O Irã reivindica o controle do Estreito de Ormuz, rota marítima crucial para o comércio global, em meio à guerra com Estados Unidos e Israel. O bloqueio da passagem pode afetar as exportações brasileiras, especialmente de proteína animal e madeira, com destino a países árabes.
O estreito é uma via chave para o transporte de petróleo, gás, fertilizantes, químicos, plásticos e grãos, segundo a consultoria MTM Logix. Cerca de 20% do petróleo mundial, 25% dos fertilizantes e 35% dos produtos químicos e plásticos utilizam a rota.
No ano anterior, o Brasil exportou 158.300 contêineres para Arábia Saudita, Bahrein, Catar, Emirados Árabes Unidos, Irã, Iraque e Kuwait. Desse total, 67,9% eram de proteína animal, 13,4% de madeira e 2,8% de papel. Essas exportações representaram 4,87% do total da pauta marítima brasileira.
Impactos no transporte marítimo
O bloqueio ou interrupção do tráfego no estreito representa um choque logístico e energético global, de acordo com Andrew Lorimer, diretor-executivo da Datamar. Ele observa que já houve aumentos nos valores dos fretes, com taxas de guerra de US$ 2 mil a US$ 4 mil por contêiner.
A Cosco, gigante chinesa de transporte marítimo de petróleo, suspendeu as operações para países do Golfo. A interrupção afeta Bahrein, Iraque, Catar, Kuwait e áreas dos Emirados Árabes e Arábia Saudita. Outras companhias, como Maersk, CMA CGM e Hapag-Lloyd, também suspenderam o tráfego na região.
As corretoras de seguros Marsh e Aon negociam com o governo dos EUA um plano para segurar navios-tanque que cruzam o estreito.
O número de voos cancelados para o Oriente Médio ultrapassou 20 mil desde o início dos combates.
A Emirates prorrogou a suspensão de voos para Dubai. A Qatar Airways estendeu a paralisação. Mais da metade dos 36 mil voos programados de ou para o Oriente Médio desde 28 de fevereiro foram cancelados.
A suspensão de atividades de navegação e voos tem afetado o transporte de mercadorias e passageiros na região.




