O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou um pacote de medidas para a reforma agrária no valor de R$ 2,7 bilhões. O anúncio ocorreu após encontro com o Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST).
O Planalto anunciou desapropriações em São Paulo, Bahia, Pará, Pernambuco, Sergipe e Maranhão. Segundo o ministro do Desenvolvimento Agrário, Paulo Teixeira (PT), os novos assentamentos visam resolver “conflitos antigos e históricos” no país.
Reaproximação com o MST
O anúncio do investimento na reforma agrária ocorreu durante o encontro nacional do movimento, em Salvador, na semana passada, com a presença de Lula.
A lista das seis terras desapropriadas inclui a Fazenda Nova Alegria, em Felisburgo (MG). O local ficou marcado pelo assassinato de cinco trabalhadores do MST em 2004. O governo também anunciou a conclusão do processo de assentamento da Fazenda Santa Lúcia, em Pau D’arco (PA), onde ocorreu um massacre em 2017.
Representantes da bancada do agro no Congresso afirmam que aguardam a publicação da lista de terras para se manifestarem.
Relação com o MST
Em julho do ano passado, o movimento divulgou uma carta na qual criticou o ritmo das ações da atual gestão no campo. Dias depois, Lula recebeu a cúpula do movimento no Palácio do Planalto. No mês seguinte, o Executivo fez duas entregas de títulos de regularização fundiária em uma semana, totalizando 751.
Lula participou da cerimônia do ato político de encerramento do 14º Encontro Nacional do MST na sexta-feira passada. O petista defendeu o engajamento dos integrantes do movimento nas eleições deste ano.
O MST decidiu que lançará 18 candidaturas ao Legislativo neste ano. Serão 12 nomes que disputarão cadeiras estaduais, enquanto outros seis tentarão ser eleitos como deputados federais.
Lula afirmou que tinha a intenção de “fazer o máximo de assentamentos”, porém esbarrou na falta de estrutura do Incra. Segundo o presidente, há o desejo de marcar uma reunião com agrupamentos rurais no mês que vem para discutir as entregas do governo.


