As anotações do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ) apresentaram o presidente da Federação das Indústrias de Minas Gerais (Fiemg), Flávio Roscoe, como uma alternativa para a disputa do governo estadual.
O documento, que sugeria uma alternativa ao nome de Mateus Simões (PSD), foi rascunhado por Flávio Bolsonaro. As anotações mencionam que Simões poderia “puxar para baixo” o projeto presidencial de Jair Bolsonaro.
Disputa Interna no PL
Dentro do PL, três cenários são considerados: apoiar a candidatura de Simões, a do senador Cleitinho (Republicanos) ou lançar um terceiro nome, com Roscoe sendo o mais citado.
Empresário do setor têxtil há mais de três décadas, Roscoe está em seu segundo mandato à frente da Fiemg, cargo que ocupa desde 2018.
Roscoe se posicionou contra o aumento do ICMS sobre produtos considerados supérfluos aprovado pelo governo mineiro em 2023. Ele também ocupa a vice-presidência da Confederação Nacional da Indústria (CNI) e preside o Conselho de Infraestrutura da entidade.
Nos bastidores do PL mineiro, o nome de Roscoe passou a ser cogitado como alternativa de candidatura própria.
Divergências no Partido
A divulgação das anotações evidenciou divisões entre dirigentes e parlamentares do PL em Minas. Parte do partido concorda com a avaliação atribuída ao senador, enquanto outro grupo reage a essa leitura.
O deputado estadual Bruno Engler afirmou que qualquer candidatura apoiada pelo partido precisa assumir compromisso com a candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro.
O presidente do PL em Minas Gerais, Domingos Sávio, disse que todas as alternativas seguem em análise, condicionadas à construção de um palanque presidencial sólido no estado.
O partido também não descarta uma candidatura própria.
O episódio ocorre em meio a uma disputa interna no PL mineiro entre alas representadas pelo deputado federal Nikolas Ferreira e pelo deputado estadual Bruno Engler.
Aliados de Engler admitem incômodo dentro do partido com o fato de o deputado federal estar percorrendo o estado ao lado de Simões.
A principal resistência a Simões no PL é sua associação política a Zema. Dirigentes resumem que o vazamento das anotações antecipou um debate e expôs o dilema da direita mineira: optar pela continuidade administrativa do governo Zema ou pela construção de um palanque alinhado à candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro em 2026.