A mais recente guerra no Oriente Médio, com bombardeios de Estados Unidos e Israel contra o Irã, e retaliações iranianas, eleva os preços do petróleo e representa uma ameaça para a economia global. Os preços do petróleo subiram mais de 15% desde sexta-feira, com o contrato de referência do Brent ganhando 6% nesta terça-feira, chegando a mais de US$82 por barril.
Especialistas alertam contra a sensação de tranquilidade, pois o conflito pode se prolongar e intensificar.
Impactos no abastecimento de energia
O Oriente Médio é responsável por 30% do petróleo mundial e 17% do gás natural. Qualquer interrupção nesse fluxo pode gerar problemas nas maiores nações importadoras, como as grandes economias do Leste Asiático e da Europa.
A atenção se volta para o Estreito de Ormuz, via marítima que conecta o Golfo Pérsico ao Oceano Índico, por onde passa cerca de um quinto da oferta mundial de petróleo, grande parte com destino à Ásia.
A estatal de petróleo do Catar anunciou a suspensão da produção de gás natural liquefeito, devido aos riscos de transporte pelo Estreito de Ormuz. O preço do gás natural na Europa disparou 50% como consequência.
Vulnerabilidade de países e aumento de custos
China, Japão, Alemanha, Coreia do Sul, Taiwan, Itália e Espanha já enfrentam a guerra comercial. Agora, somam-se as dificuldades com o aumento dos custos de matérias-primas e a possibilidade de alta nos combustíveis.
A Índia, dependente de petróleo do Golfo Pérsico, enfrenta riscos nos seus suprimentos. Cerca de 9 milhões de trabalhadores indianos no Golfo Pérsico são responsáveis por 38% de todas as remessas.
Nos Estados Unidos, embora as empresas de combustíveis fósseis possam lucrar, os consumidores americanos pagariam mais pela gasolina, o que pressionaria os custos.
O economista Kenneth S. Rogoff, ex-economista-chefe do Fundo Monetário Internacional e professor da Universidade Harvard, ressalta que o conflito em andamento pode aumentar a inflação. Os Estados Unidos precisarão recompor seus estoques de armas, ampliando a dívida nacional.
Os impactos do conflito em andamento tendem a aumentar a inflação.