A Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) do Crime Organizado cancelou a sessão agendada para esta terça-feira, 3 de março, devido à ausência dos convocados. Estavam previstos os depoimentos do ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, e do fundador da Reag Investimentos, João Carlos Falbo Mansur.
No dia anterior à sessão, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, tornou opcional o comparecimento de Campos Neto. Mansur obteve uma decisão do ministro Flávio Dino, que lhe permitia ficar em silêncio, mas ainda era obrigado a comparecer à comissão.
Contexto da CPI
A CPI foi instaurada em novembro do ano anterior, após uma operação policial no Rio de Janeiro. A comissão tem direcionado seus trabalhos para investigar o uso do sistema financeiro e do mercado lícito pelo crime organizado.
O depoimento de Campos Neto tinha como objetivo esclarecer questões regulatórias que, na visão de alguns parlamentares, poderiam ter facilitado fraudes cometidas pelo Banco Master e o uso de fintechs e fundos de investimento por facções criminosas.
O banqueiro é acusado de utilizar a instituição financeira para uma fraude de R$ 12 bilhões na emissão de títulos falsos, no âmbito da Operação Compliance Zero. Uma outra investigação, a Carbono Oculto, aponta que gestoras ligadas a executivos do banco custodiavam ativos do crime organizado.
Quebra de sigilo e anulação
Na sessão anterior, a CPI aprovou a quebra de sigilo da Maridt Participações, do ministro do STF Dias Toffoli. Também foram aprovados requerimentos para convidar Toffoli, o ministro Alexandre de Moraes e sua esposa, Viviane Barci de Moraes, para depor.
Entretanto, a medida foi anulada pelo ministro Gilmar Mendes, que apontou desvio de finalidade em relação ao escopo da investigação da comissão. O relator da CPI, senador Alessandro Vieira (MDB-SE), pretende recorrer.
A Maridt, que tem Toffoli como sócio anônimo, recebeu R$ 20 milhões de um fundo cujo único cotista era Fabiano Zettel, cunhado de Vorcaro, conforme revelado pelo Estadão.



