A indústria do chocolate chega à Páscoa de 2026 em meio a uma desaceleração na cotação do cacau e do açúcar.
Após atingir US$ 10,7 mil por tonelada em janeiro de 2025, o cacau teve queda para US$ 3,6 mil em fevereiro de 2026. Os preços do açúcar em São Paulo estão em torno de R$ 98 a saca, o menor valor desde outubro de 2020, 30% abaixo de fevereiro de 2025.
Apesar da redução nos preços globais, a Associação Brasileira da Indústria de Chocolates, Cacau, Amendoim, Balas e Derivados (Abicab) informa que o preço final dos produtos na prateleira não é definido apenas pelo cacau e açúcar. Custos com leite, câmbio do dólar e frete logístico, encarecido pelo uso de caminhões frigoríficos, também influenciam.
Queda na cotação do cacau
A Páscoa de 2026 ocorre após uma redução na cotação do cacau, mas não o suficiente para voltar ao patamar histórico de anos anteriores, segundo Lucca Bezzon, analista da StoneX. A cotação da tonelada do cacau na Bolsa de Nova York variou entre US$ 2 mil e US$ 3 mil de janeiro de 2022 a outubro de 2023, quando começou a subir.
O primeiro pico foi em abril de 2024, chegando a US$ 10 mil a tonelada. No final de 2024, a commodity atingiu US$ 12,5 mil por tonelada. Bezzon explica que a alta foi causada por problemas climáticos em Gana e na Costa do Marfim, que concentram de 50% a 60% da produção mundial.
Mudanças na indústria
As indústrias reformularam produtos, reduzindo o uso de manteiga e pó de cacau e substituindo-os por opções mais baratas, como óleo de palmiste e outras gorduras vegetais. Empresas criaram blends químicos de pó de cacau com gorduras para tentar mascarar o sabor.
Açúcar em baixa
Os preços do açúcar atingiram níveis mínimos desde 2020. A baixa é resultado de sobreoferta global, incentivada pela alta das cotações anteriores. O analista Marcelo Di Bonifácio Filho, da StoneX, aponta que o uso crescente de medicamentos para emagrecimento tem afetado o consumo de produtos adoçados, com desaceleração em países com maior PIB per capita, como a União Europeia, Estados Unidos e China.
A produção para a Páscoa começa em agosto do ano anterior. A Abicab projeta crescimento para a Páscoa de 2026. O setor produtivo espera contratar mais de 13 mil trabalhadores temporários neste ano, número superior aos últimos três anos. A expectativa é que as empresas ofereçam mais de 700 itens aos consumidores.


