Enquanto o Brasil celebra o Carnaval, a China comemora a chegada do Ano do Cavalo de Fogo, em 17 de fevereiro de 2026. Analistas de mercado discutem o desempenho da segunda maior economia do mundo e seus efeitos no cenário global.
Desequilíbrio econômico na China
A China, mesmo com um crescimento de 5% no ano anterior, enfrenta um desequilíbrio entre oferta e demanda. O índice de preços ao consumidor recuou por 40 meses consecutivos. Em janeiro, a alta foi de apenas 0,2% na comparação anual.
Para fortalecer o consumo interno, o governo chinês tem adotado medidas. O setor imobiliário, que enfrentava problemas, teve o risco de colapso reduzido, segundo Lucas Sigu Souza, sócio-fundador da Ciano Investimentos. Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, aponta que o modelo de crescimento baseado em expansão imobiliária está se esgotando.
De acordo com João Pedro Moreno, analista da Nexgen Capital, o investimento imobiliário caiu 17,2%. As vendas de imóveis novos atingiram o nível mais baixo em mais de 15 anos. Os preços de apartamentos usados também caíram.
Impactos no Brasil
A indústria chinesa, com excesso de produção, direciona o excedente para o mercado internacional, o que pressiona os preços. Para o Brasil, o impacto é diferente em cada setor, como explica Marianna Costa. Setores como siderurgia e metalurgia podem enfrentar maior concorrência.
No setor de mineração, a demanda da construção civil chinesa pode manter os preços sob pressão. No agronegócio, a China deve negociar preços com maior rigor. Lucas Sigu Souza destaca o impacto nos frigoríficos brasileiros JBS (JBSS3), MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3), devido aos investimentos chineses na produção interna de frango e porco.
Recomendações para investidores
Investidores brasileiros que consideram investir na China devem ter cautela, segundo a análise. A recomendação é focar nos setores de tecnologia e financeiro, evitando exposição ao setor imobiliário. A volatilidade pode permanecer alta, exigindo atenção e planejamento de longo prazo.



