As festas de Carnaval de 2026 receberam R$ 85,2 milhões em recursos federais, de acordo com levantamento da Folha de S.Paulo. Os valores foram destinados por meio de emendas parlamentares e patrocínios de órgãos ligados ao governo, como Caixa e Embratur.
Os dados foram compilados a partir de diários oficiais e documentos de execução orçamentária até 12 de fevereiro de 2026, com base em termos como “Carnaval”, “desfile” e “escola de samba”.
Do total, aproximadamente R$ 52 milhões foram direcionados por meio de emendas parlamentares. A bancada da Bahia destinou mais de R$ 30 milhões para festas em diversos municípios. A Comissão de Turismo da Câmara direcionou mais de R$ 9 milhões.
Patrocínios de estatais
Além das emendas, órgãos federais ampliaram os patrocínios ao Carnaval.
A Caixa Econômica Federal aprovou R$ 14,8 milhões em contratos para eventos em diversas cidades:
- R$ 6,3 milhões para o Camarote Viva Bahia, em Salvador
- R$ 1,8 milhão para o Nosso Camarote, no Rio de Janeiro
- R$ 800 mil para eventos em Belo Horizonte
A Embratur destinou R$ 12 milhões ao Carnaval do Rio de Janeiro, com repasse de R$ 1 milhão para cada escola do Grupo Especial, além de R$ 450 mil para eventos em Salvador, Rio e Olinda.
Discussões sobre escola de samba
Parte dos recursos está no centro de discussões envolvendo órgãos de controle e o Congresso Nacional. Um dos casos envolve o repasse de verbas públicas para a escola Acadêmicos de Niterói, que apresentou um enredo sobre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
A escola recebeu R$ 1 milhão da Embratur, R$ 4 milhões da prefeitura de Niterói e R$ 2,15 milhões da prefeitura do Rio. Técnicos do Tribunal de Contas da União (TCU) chegaram a recomendar a suspensão cautelar do patrocínio, mas o relator do caso decidiu ouvir os envolvidos antes de uma decisão final.
Um projeto do senador Bruno Bonetti (PL-RJ), o PL 392/2026, prevê proibir homenagens a autoridades políticas em eventos culturais financiados com recursos federais. Outro propõe vedar financiamento a manifestações que promovam conteúdos considerados incompatíveis com princípios da ordem pública.
O Tribunal Superior Eleitoral rejeitou um pedido para impedir o desfile, entendendo que não havia elementos suficientes para caracterizar propaganda eleitoral antecipada.
Nesta segunda-feira (16), o partido Novo informou que entrará com pedido de inelegibilidade do presidente Lula (PT) em decorrência do desfile.
Impacto econômico
O Ministério do Turismo estima a participação de 65 milhões de pessoas nas festas em 2026, um crescimento de 22% em relação ao ano anterior.
A movimentação financeira projetada é de R$ 18,6 bilhões, segundo a FecomercioSP.
O governo do Rio de Janeiro destinou R$ 40 milhões, enquanto a Riotur aplicou R$ 51,6 milhões nas escolas de samba. Em São Paulo, a prefeitura aportou R$ 30,2 milhões.
O Carnaval de 2026 contou com repasses federais que somaram R$ 85,2 milhões.



