O mercado de crédito para médias e grandes empresas no Brasil passa por uma transformação. Gestoras e DTVMs (Distribuidoras de Títulos e Valores Mobiliários) menores e regionais estão aproveitando a redução no apetite de grandes bancos por concessões de nicho.
Esses players estruturam operações sob medida, principalmente via Fundos de Investimento em Direitos Creditórios (FIDCs), segundo informações publicadas em 24 de fevereiro de 2026.
Bancos apostam em produtos padronizados
Edgar Araújo, CEO da Azumi Investimentos, aponta que os bancos apostam em produtos padronizados, ignorando as necessidades específicas do middle market. A Serasa Experian, no relatório Panorama PME de 2025, indicou que o Indicador de Condições de Crédito a MPMEs registrou -0,18 ponto no segundo semestre de 2025.
Araújo afirma que as grandes instituições estão “retendo o crédito de nicho”, focando no crédito livre. Essa retração bancária impulsiona as boutiques. A Azumi Investimentos já soma 77 FIDCs focados em médias e grandes empresas e R$ 3 bilhões sob gestão.
Richard Ionescu, CEO do Grupo IOX, também observa que os bancos “esqueceram um pouco o middle porque o segmento dá trabalho e não oferece o retorno de escala que eles buscam”. Pedro Da Matta, CEO da Audax Capital, destaca que as boutiques atuam pela proximidade e tecnologia.
Desafios na concessão de crédito
A atuação no middle market exige uma operação que enfrenta desafios. A desorganização financeira das empresas é um deles. Da Matta relata que é difícil conceder prazos longos, limitando o crédito a operações de até 36 meses.
Ionescu, da IOX, destaca que, muitas vezes, o trabalho da boutique começa por reestruturar a situação financeira do cliente. Araújo menciona a barreira educacional, pois explicar como funciona uma estrutura de mercado de capitais leva tempo.
Para aumentar a presença e evitar a concorrência do eixo Rio-São Paulo, as boutiques apostam em presença regional. Ionescu expandiu sua operação para o interior paulista e outros estados, contando com operação comercial espalhada pelo Brasil. Da Matta vê a atuação fora do centro financeiro como um trunfo.
O crescimento desse mercado levanta a questão sobre o seu futuro estrutural. Os executivos se dividem sobre a possibilidade de fusões e aquisições.
Pedro Da Matta, da Audax, acredita na consolidação a médio prazo. Richard Ionescu, da IOX, discorda e aposta na manutenção da pulverização. Edgar Araújo, da Azumi, foca no crescimento acelerado antes que as grandes instituições reajam.