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Bolsa brasileira: apenas 17 de 94 IPOs feitos desde 2014 apresentam ganhos

Das 94 ofertas públicas iniciais de ações realizadas desde 2014, 75 continuam no mercado. Segundo estudo da Seneca Evercore, empresa especializada em mercado de capitais, apenas 17 delas apresentaram desempenho positivo até 19 de fevereiro de 2026.

Sete das 75 empresas superaram o Índice Bovespa. Oito tiveram alta maior que o CDI.

Desempenho dos grupos de empresas

A consultoria dividiu as empresas em quatro grupos. O primeiro, com 19 ações, registrou uma taxa de crescimento anual composta (CAGR) de 9,7% em média, além de crescimento de receita anual de 27,1% e de lucro líquido de 19,9%.

O segundo grupo, também com 19 ações, apresentou um resultado intermediário, com taxa de retorno anual negativa de -5,5% em média desde o IPO. Os grupos 3 e 4, formados por 19 e 18 ações, respectivamente, tiveram os piores desempenhos. O grupo 3 teve uma taxa de crescimento anual negativa de -19,6%, enquanto o grupo 4, de -49,8%.

Maiores ganhos e perdas

As maiores altas foram registradas pelas ações da Cury (336,8%), Orizon (229,5%), Vibra (114%), Lavvi (107,6%) e Neoenergia (104,7%). As maiores quedas foram lideradas por Infracomm (-99,99%), Sequoia Log (-99,98%), Azul (-99,7%), Agrogalaxy (-98,4%) e Aeris (-97,8%).

A análise da Seneca Evercore indica que o desempenho dos IPOs pode estar ligado à dificuldade das empresas em transformar o crescimento da receita em lucro consistente. Além disso, houve deterioração das margens líquidas no pós-IPO.

Segundo Daniel Wainstein, sócio-fundador da consultoria, o mau desempenho dos IPOs também está relacionado ao cenário econômico, com juros altos e migração de investimentos para renda fixa.

Wainstein menciona que entre 2020 e 2021 ocorreram cerca de 70 ofertas iniciais, em um período de juros baixos e alta liquidez. Ele compara esse período com o de 2004 a 2007, quando houve mais de 60 IPOs. Wainstein ressalta que o mercado brasileiro evoluiu institucionalmente, mas ciclos de otimismo e correção fazem parte da dinâmica.

A partir de 2022, o mercado de IPOs estagnou, em especial devido aos juros reais altos.

Para Wainstein, a queda da Selic e a busca por diversificação em mercados internacionais podem impulsionar o mercado de IPOs. A incerteza política e as eleições presidenciais também influenciam o mercado, levando empresas a adiar ofertas.

O estudo da Seneca Evercore mostra que, do total de IPOs realizados desde 2014, a maioria não apresentou ganhos.

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