O assessor de Donald Trump para o Brasil, Darren Beattie, solicitou uma reunião com o ministro do STF Kassio Nunes Marques para tratar do processo eleitoral brasileiro, conforme reportagem da Folha de S.Paulo publicada no sábado (14).
De acordo com o jornal, o ministro havia concordado com a reunião, mas o encontro não chegou a ser agendado e não deve mais ocorrer após a proibição da entrada de Beattie no país, determinada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva.
Lula tomou a decisão com base na reciprocidade diplomática, em resposta ao cancelamento, pelo governo Trump, dos vistos de ministros do STF e de membros do governo brasileiro. O presidente afirmou que Beattie não poderá entrar no Brasil até que os EUA regularizem a situação do visto do ministro da Saúde, Alexandre Padilha, e sua família.
Visita a Bolsonaro
A viagem de Beattie ao Brasil já havia gerado tensão. O ministro Alexandre de Moraes autorizou uma visita de Beattie a Jair Bolsonaro na Papuda, agendada para 18 de março, das 8h às 10h, com a presença de um intérprete. Posteriormente, o ministro revogou a decisão.
A revogação ocorreu após o Itamaraty informar a Moraes que o visto de Beattie foi concedido exclusivamente para participação no Fórum Brasil-EUA de Minerais Críticos, em São Paulo, em 18 de março, e para reuniões oficiais com representantes do governo brasileiro. A visita a Bolsonaro, segundo essa versão, não estava entre os objetivos comunicados pelo governo americano.
O chanceler Mauro Vieira declarou que “a visita de um funcionário de Estado estrangeiro a um ex-presidente da República em ano eleitoral pode configurar indevida ingerência nos assuntos internos do Estado brasileiro”. O ministro também argumentou que o pedido de visita ao ex-presidente não se enquadrava nos objetivos oficialmente informados pelo Departamento de Estado.
A preocupação no governo Lula se estende ao temor de que a aproximação entre a gestão Donald Trump e o bolsonarismo seja utilizada para pressionar instituições brasileiras. A Reuters informou que o Itamaraty classificou a tentativa de visita de Beattie a Jair Bolsonaro, em ano eleitoral, como possível “interferência” em assuntos internos do país.
Integrantes da cúpula do PT teriam passado a ver iniciativas apoiadas por aliados de Trump, como a ofensiva americana para enquadrar facções brasileiras como organizações terroristas, como um primeiro movimento de influência sobre o debate eleitoral no Brasil.