O advogado Victor Travancas, assessor da Secretaria da Casa Civil no governo de Cláudio Castro (PL), declarou na quinta-feira, 12 de março de 2026, que a sede do Executivo estadual é o “gabinete do crime organizado no Rio de Janeiro”.
Travancas fez a declaração em entrevista ao ex-governador Anthony Garotinho, em um programa no YouTube.
Declarações sobre o governo
Travancas afirmou que solicitou exoneração do cargo e tentou sua demissão em diversas ocasiões, mas o governador Cláudio Castro o manteve. Segundo ele, Castro o mantém no cargo para que não possa processá-lo.
O governador é investigado pelo Tribunal Superior Eleitoral por suposto esquema de contratações irregulares de cabos eleitorais em 2022 com verba pública, por meio do Ceperj e da Universidade do Estado do Rio.
O Ministério Público aponta que cerca de 45 mil contratações temporárias foram autorizadas no período eleitoral, sendo 27 mil na Ceperj e 18 mil na Uerj. Relatórios mencionam pagamentos em espécie e saques que somariam aproximadamente R$ 248 milhões. O órgão investiga o uso do modelo para empregar apoiadores e influenciar a eleição.
Investigações sobre envolvimento com o crime
A Polícia Federal deflagrou, na segunda-feira, 9 de março, a Operação Anomalia para desarticular um núcleo criminoso que negociava vantagens indevidas e vendia influência para favorecer um traficante internacional de drogas.
Entre os presos está o ex-secretário estadual de Esportes de Castro, Alessandro Pitombeira Carracena. Ele é investigado por suspeita de integrar um grupo que vendia influência dentro do governo para favorecer o tráfico internacional de drogas.
O delegado de Polícia Allan Turnowski, ex-secretário de Polícia Civil do Rio, foi preso duas vezes sob acusação de ligações com o jogo do bicho. As investigações apontam que ele atuava como agente duplo, em favor dos contraventores Rogério de Andrade e Fernando Iggnácio. Turnowski responde ao processo em liberdade.
Em 2021, a Polícia Federal prendeu a cúpula da Secretaria estadual de Administração Penitenciária (Seap). O então secretário Raphael Montenegro e os subsecretários Sandro Farias Gimenes e Wellington Nunes da Silva foram alvos da operação, acusados de negociar com o Comando Vermelho. A ação foi trancada pelo Tribunal Regional Federal da 2ª Região.