Acordo Mercosul-UE: Agronegócio, indústria e energia são os setores promissores
Com a aprovação do acordo entre Mercosul e União Europeia pelo Conselho Europeu em 9 de janeiro de 2026, as expectativas se voltam para os setores da economia brasileira que podem se beneficiar da abertura do mercado europeu. O agronegócio é apontado como principal ganhador no curto prazo, mas há oportunidades para indústria e energia.
Agronegócio deve ser o primeiro a colher os frutos do acordo
O agronegócio brasileiro deve ser o setor com os primeiros ganhos do acordo, segundo analistas. Produtos como carnes bovina e de frango, açúcar, café, frutas, etanol, suco de laranja e óleos vegetais estão bem posicionados para aumentar sua presença no mercado europeu.
Marcelo Vitali, diretor da agência de internacionalização How2Go, afirmou que alguns efeitos tendem a ser quase imediatos. Ele citou o caso das frutas, que já têm a União Europeia como principal destino, mas ainda enfrentam tarifas. Com o acordo, a fruta brasileira competirá em condições semelhantes às de outros países. Estudos da How2Go também apontam impacto positivo para grãos, açúcar, café e alimentos industrializados.
Proteínas animais e oportunidades na indústria
Mesmo com cotas, as proteínas animais também estão entre as apostas. Gesner Oliveira, sócio da GO Associados e professor da FGV, inclui suínos, aves, pescados, alimentos processados, óleos e gorduras entre os setores com impacto positivo direto. Vitali cita empresas exportadoras de carne como potenciais beneficiadas.
Além do agronegócio, o acordo abre espaço para ganhos industriais. Vitali destaca o setor químico brasileiro, com potencial de crescimento. A ApexBrasil ressalta a redução imediata de tarifas para máquinas e equipamentos de transporte, além de oportunidades para couro e peles. Jorge Viana, presidente da ApexBrasil, afirmou que mais de um terço do que o Brasil exporta para a região é composto por produtos da indústria de processamento.
Energia e os produtos europeus com potencial no Brasil
O setor de energia também é estratégico. Para Gesner Oliveira, há forte complementaridade entre Brasil e Europa. “O Brasil pode ser um bom fornecedor de energia, ajudando a União Europeia a diversificar fontes em um contexto geopolítico mais instável”, afirmou.
O acordo também amplia a concorrência no mercado brasileiro, principalmente em máquinas, eletrônicos e vestuário. Fabio Ongaro, vice-presidente de finanças da Italcam, alerta que a abertura comercial premia a estratégia de longo prazo. Produtos europeus como azeites de oliva com denominação de origem, embutidos, presuntos, queijos curados, conservas de pescado, vinhos e destilados podem ganhar espaço no Brasil.
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