O Banco Central do Brasil decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno nesta quarta-feira, 18 de fevereiro de 2026. A instituição, que teve origem no Banco Indusval, passou por diversas mudanças societárias e tentativas de reposicionamento.
O Banco Indusval, com foco em crédito corporativo e financiamento ao agronegócio, enfrentou dificuldades operacionais e teve resultados pressionados. Em 2019, adotou o nome Banco Voiter, buscando uma instituição mais enxuta e com foco em soluções digitais. Em 2023, o Voiter foi alvo de uma proposta de aquisição pela Capital Consig, que não foi adiante.
Mudança de controle e restrições
No início de 2024, o Voiter foi incorporado ao Banco Master, controlado por Daniel Vorcaro. Em julho de 2025, o Banco Central aprovou a transferência do controle do banco para Augusto Ferreira Lima, ex-sócio de Vorcaro, que deu origem ao Banco Pleno.
A autorização do regulador veio com exigências, incluindo um plano para lidar com uma eventual crise de liquidez. O Banco Pleno dependia de captação via depósitos a prazo, principalmente CDBs, como fonte de financiamento.
Em setembro, o Banco Pleno operava com um passivo de cerca de R$ 6,8 bilhões, dos quais aproximadamente R$ 5,2 bilhões estavam em CDBs e cerca de R$ 760 milhões em letras financeiras. O BC impôs restrições à emissão de novos títulos.
Os papéis do banco passaram a ser negociados no mercado secundário a taxas superiores ao CDI. Augusto Ferreira Lima buscou reposicionar o Banco Pleno com foco no crédito consignado, usando o Credcesta.
Augusto Lima foi preso na operação Compliance Zero, que investiga fraudes envolvendo o Banco Master. O Banco Pleno afirmou não ser alvo de investigações.
O banco buscou um comprador, mas as negociações não avançaram. O Banco Central decretou a liquidação extrajudicial do Banco Pleno devido a restrições regulatórias, dificuldade de captação, estrutura de passivos pressionada e deterioração da confiança do mercado.


