Cuba enfrenta uma crise que pode ser o maior teste desde o colapso da União Soviética. A avaliação é de Tanguy Baghdadi, mestre em relações internacionais e apresentador do podcast Petit Jornal, em entrevista ao Times Brasil — Licenciado Exclusivo CNBC.
A pressão dos Estados Unidos sobre a ilha intensificou-se após a captura do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro, aliado de Havana. Essa situação agravou a escassez de petróleo e impactou a economia e o cotidiano da população.
Questão energética
Baghdadi aponta a questão energética como central para entender o cenário. A energia é crucial para o transporte e para toda a estrutura econômica, pois a falta de combustível pode paralisar um país.
A dependência externa sempre foi um fator determinante em Cuba. Após o fim da União Soviética, a Venezuela tornou-se o principal suporte energético da ilha. Com a mudança política venezuelana e a pressão americana, as alternativas tornaram-se escassas.
A escassez de combustível afeta o abastecimento de alimentos, água e serviços essenciais. A falta de combustível pode impedir o transporte de alimentos do campo para as cidades, agravando a situação social.
Impacto no turismo
A crise atinge o turismo, um dos principais motores da entrada de moeda estrangeira na ilha. O país enfrenta dificuldades para abastecer aeronaves, o que pode levar companhias aéreas a suspender voos.
Possibilidade de negociação
Questionado sobre negociações entre Havana e Washington, Baghdadi avalia que o governo de Donald Trump demonstrou disposição para dialogar com líderes ideologicamente opostos. No entanto, o especialista considera que o caso cubano tem peso simbólico diferenciado.
Segundo Baghdadi, o cenário mais provável no curto prazo é a manutenção da pressão sobre Havana.