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China: Ano do Cavalo de Fogo traz desafios e oportunidades para o Brasil

A China iniciou as celebrações do Ano do Cavalo de Fogo nesta terça-feira (17). Analistas avaliam o desempenho da segunda maior economia do mundo e seus impactos no Brasil, em um cenário de desafios e oportunidades.

Apesar do crescimento de 5% no ano passado, dentro da meta do governo, a China enfrenta um desequilíbrio entre oferta e demanda. O índice de preços ao consumidor recuou pelo 40º mês consecutivo em janeiro. O índice de preços ao consumidor subiu apenas 0,2% em janeiro na comparação anual.

O governo chinês tem adotado medidas para fortalecer o consumo interno. Lucas Sigu Souza, sócio-fundador da Ciano Investimentos, afirma que o plano estatal reduziu o risco de colapso no setor imobiliário.

Setor Imobiliário e Exportação de Deflação

Marianna Costa, economista-chefe da Mirae Asset, alerta que o modelo de crescimento chinês baseado em expansão imobiliária está se esgotando. João Pedro Moreno, analista da Nexgen Capital, aponta que o investimento imobiliário caiu 17,2% e cerca de 80 milhões de imóveis não vendidos continuam a pressionar o mercado. As vendas de imóveis novos caíram ao nível mais baixo em mais de 15 anos.

A saída da indústria chinesa tem sido direcionar o excesso de produção para o mercado internacional, resultando na exportação de deflação, segundo Moreno.

Impactos no Brasil

Para a indústria brasileira, o impacto é assimétrico. Setores como siderurgia e metalurgia podem enfrentar maior concorrência. A importação de insumos a preços menores tem um efeito desinflacionário sobre bens comercializáveis no Brasil.

No setor de mineração, a demanda da construção civil chinesa deve manter os preços sob pressão. No agronegócio, a China deve usar seu poder de comprador dominante para negociar preços. Souza alerta para um impacto nos frigoríficos brasileiros JBS (JBSS3), MBRF (MBRF3) e Minerva (BEEF3), devido aos investimentos da China na produção de frango e porco.

Para o investidor brasileiro, a recomendação é de seletividade extrema. Souza sugere foco nos setores de tecnologia e financeiro, evitando a exposição ao setor imobiliário. Moreno alerta para o risco de “value trap” se a transição da China para uma economia de consumo demorar mais.

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