A isenção do Imposto de Renda para quem ganha até R$ 5 mil e os descontos para quem recebe até R$ 7.350 devem gerar um aumento nas vendas do varejo, com os resultados sendo observados no primeiro trimestre de 2026, conforme dados divulgados.
A medida, parte da Reforma da Renda, deve impactar entre 15 milhões e 18 milhões de declarações, segundo estimativa. O economista da XP Investimentos, Tiago Sbardelotto, avalia que o público beneficiado é grande.
Impacto na renda
A renda real disponível para as famílias deve crescer 4,5% em 2026, de acordo com a XP. Desse total, 0,6% é decorrente da isenção e dos descontos no IR.
A contrapartida das isenções e descontos é a maior taxação de indivíduos com alta renda. As medidas incluem retenção de 10% sobre dividendos pagos a pessoas físicas que recebem mais de R$ 50 mil por mês, aplicação da mesma alíquota para dividendos enviados ao exterior e imposto progressivo para pessoas com renda anual superior a R$ 600 mil, limitado a 10%.
As medidas podem causar a diminuição da renda de 140 mil a 150 mil pessoas, mas não a ponto de compensar os ganhos com o consumo das faixas de renda menor, conforme Sbardelotto.
A propensão marginal a consumir é de 70% para indivíduos de baixa e média renda, que serão beneficiados pela isenção e pelos descontos tributários. Para os de alta renda, impactados pela tributação de dividendos, a propensão é de 5%.
O Departamento Intersindical de Estatísticas e Estudos (Dieese) estima que o alívio no IR injetará R$ 26,2 bilhões na economia. Desse total, R$ 20,9 bilhões serão destinados aos trabalhadores do setor formal e R$ 5,3 bilhões, aos servidores públicos.
No curto prazo, Sbardelotto espera um efeito líquido positivo sobre o consumo, que será sentido pelas varejistas no primeiro semestre de 2026.
Setor imobiliário
O setor imobiliário pode ser beneficiado pela isenção do IR. Filipe Pontual, diretor executivo da Abecip, mencionou o potencial efeito positivo nos pagamentos do programa Minha Casa, Minha Vida.
A vice-presidente de Habitação da Caixa Econômica Federal, Inês Magalhães, ponderou sobre o tema. Sbardelotto, da XP, acrescenta que a demanda do setor imobiliário depende de outros aspectos, como a oferta de crédito.
A isenção do Imposto de Renda deve injetar recursos na economia.



