O mercado de metais preciosos apresentou uma correção, com a prata registrando queda de aproximadamente 30% em um único dia, conforme publicado em 12 de fevereiro de 2026.
Alexandre Stormer, trader e sócio-fundador do escritório Liberta, credenciado à XP, concedeu entrevista ao InfoMoney e explicou que o movimento foi resultado de alavancagem crescente em contratos futuros e ajustes nas exigências de margem.
Excesso de contratos e alavancagem
Segundo Stormer, o volume de contratos negociados representa cerca de 150 vezes a quantidade de prata física disponível no mundo.
Quando houve um ajuste na exigência de margem para manter esses contratos, participantes foram obrigados a liquidar posições.
Stormer afirmou que a queda é típica de mercados excessivamente alavancados, nos quais a alavancagem amplifica a alta e a queda.
Sem correlação com criptomoedas
Stormer descarta correlação entre a queda da prata e as criptomoedas. Ele argumenta que as criptomoedas já estavam em baixa antes da alta do ouro e da prata.
O market cap total das criptomoedas gira em torno de US$ 3,4 trilhões, enquanto o mercado de ouro está próximo de US$ 22 trilhões.
O trader avalia que o que ocorreu foi “literalmente um excesso de volatilidade produzido por muitos players altamente alavancados”.
Escassez estrutural
Stormer reconhece que a produção mundial de prata é menor que a demanda.
Ele ressalta que a intensidade e a inclinação da alta recente ultrapassaram o comportamento compatível com fundamentos.
O analista aponta que a narrativa de escassez foi potencializada por posições excessivamente alavancadas.
Padrão histórico
Stormer avalia que o gráfico da prata apresenta um padrão: movimentos de alta seguidos por correções. Esse comportamento já foi observado em 1980 e 2011.
O analista projeta que a prata pode buscar a região dos US$ 40.
Stormer distingue a prata do ouro, afirmando que o ouro não demonstra o mesmo padrão no momento.