Nos últimos cinco anos, os mercados globais foram impactados por diversos conflitos internacionais, como a invasão da Ucrânia e a intervenção dos Estados Unidos na Venezuela. Bolsas, juros e moedas foram afetados por esses eventos, tornando o cenário geopolítico um fator de preocupação para analistas e gestores de recursos.
Um estudo da Quantum Finance analisou os impactos desses eventos nos mercados. A análise indica que os efeitos variam, dificultando ações preventivas por parte dos investidores.
Impactos nos mercados
A invasão da Ucrânia pela Rússia, em 24 de fevereiro de 2022, teve maior impacto no petróleo, enquanto as bolsas apresentaram poucas reações. O petróleo Brent variou 16,58% e o WTI, 18,00% no período de 21 de fevereiro a 3 de março. O dólar/real teve variação de -1,02%, o Dow Jones, -0,83%, o Ibovespa, 3,08%, o Nasdaq, -0,07%, e o S&P500, 0,34%.
Na crise entre China e Taiwan, em 2 de agosto de 2022, o petróleo apresentou variação de -3,27% (Brent) e -4,67% (WTI). O dólar/real variou -4,45%, o Dow Jones, 3,19%, o Ibovespa, 8,90%, o Nasdaq, 8,05%, e o S&P500, 5,14%, entre 26 de julho e 9 de agosto.
O conflito Hamas/Israel, em 7 de outubro de 2023, resultou em variação de -5,08% (petróleo Brent) e -4,54% (WTI). O dólar/real teve variação de 1,08%, o Dow Jones, 1,42%, o Ibovespa, -0,03%, o Nasdaq, 2,64%, e o S&P500, 2,00%, entre 29 de setembro e 16 de outubro.
Na intervenção dos EUA na Venezuela, em 27 de dezembro de 2025, o petróleo Brent variou 2,21% e o WTI, 4,17%. O dólar/real variou -3,08%, o Dow Jones, 1,63%, o Ibovespa, 1,54%, o Nasdaq, 0,33%, e o S&P500, 0,52%, entre 26 de dezembro e 9 de janeiro.
Busca por proteção
Ermínio Lucci, CEO da corretora BGC Liquidez, observou que, historicamente, eventos geopolíticos têm impactos limitados no mercado. Os principais ativos que reagiam a esses conflitos eram geralmente o petróleo, o dólar, títulos do Tesouro americano e ouro. Lucci avalia que houve uma mudança na forma como os investidores buscam proteção nesses momentos.
Nos últimos anos, o petróleo perdeu relevância na matriz de crescimento mundial. A partir de 2025, o dólar e os Treasuries também começam a perder essa correlação. Isso intensificou a busca por proteção em ouro e outros metais como prata, cobre e metais raros.
O confisco dos valores da Rússia no exterior também incentivou os bancos centrais a aumentar suas reservas em ouro. Lucci aponta a situação fiscal americana como um fator para a menor busca por proteção em títulos do Tesouro americano e em dólar.
Na busca por outras moedas, o franco suíço está assumindo o papel do dólar como porto seguro. O Bitcoin chegou a ser visto como proteção, mas perdeu força.
Especulação e emoções
Marcos Praça, da ZERO Markets, destaca o papel da especulação e das emoções nos movimentos de mercado durante guerras. Ele ressalta a importância de evitar o efeito manada e focar nos fundamentos da economia.
João Daronco, analista da Suno Research, aponta que os conflitos impactaram majoritariamente as commodities nas quais os países envolvidos têm alguma interferência, como petróleo. Segundo Daronco, o mercado muitas vezes exagera nas avaliações de preços devido à incerteza.
A lição para o investidor é que o mercado como um todo prevê eventos ou crises que não se confirmam e, muitas vezes, as pessoas perdem dinheiro tentando antecipá-los.



