A ação dos Estados Unidos na Venezuela, que resultou na captura de Nicolás Maduro, pode afetar o cronograma de negociações do Mercosul com a União Europeia. A avaliação é de especialistas da XP, que apontam para possíveis atrasos no acordo, apesar de sua assinatura ainda ser considerada possível.
Impacto no acordo Mercosul-União Europeia
Régis Cardoso, responsável pela cobertura do setor de petróleo e gás natural na XP, afirmou que a situação na Venezuela pode reconfigurar pressões externas. Cardoso ressaltou, no entanto, que ainda existem desafios domésticos em países europeus, como a França, que podem afetar o calendário previsto para o acordo.
Repercussão da ação americana
A operação americana gerou divisões internacionais. Enquanto o presidente da Argentina comemorou a ação, Brasil, Chile e Colômbia classificaram o ato como violação do direito internacional.
Implicações políticas e econômicas
Sol Azcune, analista política da XP Investimentos, avaliou que a movimentação na Venezuela não indica uma mudança completa de regime em Caracas. Azcune disse que a vice-presidente de Maduro foi reconhecida pelas Forças Armadas como presidente interina e já é a interlocutora principal dos EUA, indicando um regime de transição.
A tensão regional deve influenciar as eleições na Colômbia, previstas para este ano, segundo Azcune. Nos Estados Unidos, as eleições de meio de mandato devem continuar focadas em questões domésticas como inflação e saúde.
A crise venezuelana reacende discussões sobre o papel do petróleo na geopolítica mundial, conforme Cardoso. O analista destacou que o petróleo venezuelano é pesado, de difícil transporte e exige investimentos bilionários para produção. Cardoso concluiu que, embora o impacto imediato sobre preços e fluxos de petróleo seja limitado, os efeitos prospectivos podem ser significativos.
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